Exames Pet
A amostra certa, do jeito certo
Mais de 80% dos erros de laboratório acontecem antes de a amostra chegar até nós. Escolha o tipo de material e veja como colher, conservar e enviar.
Quando colher vários tubos na mesma punção, siga esta ordem para não contaminar um anticoagulante com outro.
- 1. Citratotampa azul
- 2. Sorotampa vermelha ou amarela
- 3. Heparinatampa verde
- 4. EDTAtampa roxa
- 5. Fluoretotampa cinza
Sangue em EDTA
Hemograma, reticulócitos, plaquetas, fibrinogênio, líquidos cavitários, líquor e PCRs de sangue.
Como colher
- Punção venosa limpa e rápida (jugular, cefálica ou safena). Evite garrote prolongado e vasos muito finos.
- Preencha até a marca do tubo, respeitando a proporção de anticoagulante.
- Homogeneíze com 6 a 8 inversões suaves. Não agite.
- Se puder, faça um esfregaço na hora: uma gota na ponta da lâmina, espalhe com outra lâmina a 45° em um movimento contínuo e seque ao ar.
Conservação e envio
O esfregaço vai em temperatura ambiente, separado do gelo. Para aves e répteis (exceto galinhas), use heparina. Este tubo também serve para alguns bioquímicos.
Erros que mais vemos
- Tubo com pouco sangue
- Coágulos por falta de homogeneização
- Agitar o tubo e causar hemólise
- Congelar a amostra
- Esfregaço refrigerado
Soro
Bioquímicos, hormônios, sorologias, vitaminas, toxicologia e testes rápidos.
Como colher
- Colha no tubo seco (tampa vermelha ou amarela com gel).
- Deixe o tubo em pé, em repouso, por 5 minutos antes de refrigerar.
- Não agite. A hemólise interfere em potássio, FA, AST e vários outros.
- Para colesterol, triglicerídeos e vitaminas, prefira jejum de 8 a 12 horas.
- Em provas de cortisol, use um tubo por horário, identificado com a hora da coleta.
Conservação e envio
Se não for enviar em 24 horas, separe o soro por sedimentação ou centrifugação, passe para outro tubo identificado e congele. Vitamina B12 e bilirrubinas devem ser protegidas da luz.
Erros que mais vemos
- Hemólise
- Lipemia por falta de jejum
- Volume insuficiente para todos os exames
- Soro esquecido sem refrigeração
Sangue em citrato
TP, TTPA, coagulograma e dímero D.
Como colher
- Punção limpa, de preferência na primeira tentativa. Múltiplas punções ativam a coagulação e alteram o resultado.
- Colha o citrato primeiro, antes dos outros tubos.
- Respeite exatamente a marca do tubo (proporção de 9 partes de sangue para 1 de citrato).
- Homogeneíze com 6 a 8 inversões suaves.
Conservação e envio
Testes de coagulação perdem confiabilidade com o tempo. Avise a equipe para que a busca seja feita logo após a coleta.
Erros que mais vemos
- Tubo com volume abaixo ou acima da marca
- Coleta demorada ou com várias punções
- Usar citrato para hemograma
Heparina e fluoreto
Heparina para hemograma de aves e répteis e alguns bioquímicos. Fluoreto para glicose, curva glicêmica e lactato.
Heparina (tampa verde)
- Respeite a proporção do tubo e homogeneíze com 6 a 8 inversões.
- Faça 2 esfregaços na hora para aves e répteis.
- Em galinhas, use EDTA para o hemograma.
Fluoreto (tampa cinza)
- O fluoreto impede que as células consumam a glicose no tubo.
- Para curva glicêmica, use fluoreto em todos os horários e identifique a hora de cada tubo.
Urina
Urinálise, UPC, densidade, microalbuminúria, urocultura e relação cortisol/creatinina.
Como colher
- Prefira cistocentese, que é o padrão-ouro e obrigatória para urocultura. Também pode ser por sonda ou micção espontânea.
- Use frasco estéril, com 5 a 10 mL para urinálise.
- Informe na requisição o método de coleta.
- Cálculos vão em frasco limpo e seco, sem formol, com no mínimo 4 g.
Pode coletar no laboratório: fazemos cistocentese guiada por ultrassom com agendamento.
Conservação e envio
Quanto antes chegar, melhor. Cristais e células se alteram com o tempo.
Erros que mais vemos
- Urina do chão ou da caixa de areia
- Frasco não estéril para cultura
- Amostra exposta ao sol
- Volume muito pequeno
Fezes
Parasitológico, OPG, coprológico funcional, coprocultura e PCRs de fezes.
Como colher
- Colha fezes frescas, de preferência logo após a evacuação ou direto da ampola retal.
- Pegue a parte de cima das fezes, sem contato com o solo, areia ou grama.
- Cerca de 5 g (o tamanho de uma noz) em frasco coletor limpo.
- Para coprocultura e PCR, use frasco estéril sem conservante ou swab retal com material visível.
Conservação e envio
Algumas formas parasitárias só aparecem em coletas seriadas. Em caso de suspeita forte com resultado negativo, repita a coleta.
Erros que mais vemos
- Fezes com terra ou areia
- Amostra antiga ou ressecada
- Frasco aberto ou mal vedado
Citologia
Nódulos, lesões de pele, linfonodos, órgãos, citologia vaginal e otológica.
Como colher
- Nódulos e massas: agulha fina (25×7 ou de 22G a 25G) e seringa de 10 mL, sem pressão excessiva para não romper as células. Secreções vaginais, auriculares e oculares: swab seco. Lesões ulceradas e mucosas: imprint.
- Insira a agulha e faça movimentos em leque. Retire a agulha, encha a seringa de ar, acople de novo e transfira o material para a lâmina.
- Faça de 3 a 6 lâminas por lesão. Deslize uma lâmina sobre a outra (squash), sem pressionar demais, e deixe secar ao ar, sem secador. Não fixe em álcool.
- Identifique cada lâmina a lápis, com o nome do paciente e o local da lesão.
- Lesões de pele: o animal não deve estar em tratamento há pelo menos 7 dias.
Pode coletar no laboratório: fazemos aspirado de nódulos simples de pele e mama com agendamento.
Conservação e envio
Envie em porta-lâminas. Não exceda a capacidade do porta-lâminas, não coloque uma lâmina sobre a outra e não cole nada sobre o material. Proteja do sol e do calor e envie imediatamente. O vapor de formol estraga a coloração das células, então nunca coloque lâminas e frasco de histopatológico na mesma embalagem.
Erros que mais vemos
- Requisição sem histórico e suspeita
- Lâmina muito grossa
- Só sangue, sem células da lesão
- Lâminas sem identificação
- Lâminas junto com formol
Histopatológico
Nódulos, peças cirúrgicas, cadeia mamária, margens e fragmentos de vísceras.
Como colher
- Coloque o tecido no formol 10% tamponado imediatamente após a retirada.
- Use formol em volume cerca de 10 vezes maior que o tecido.
- Frasco de boca larga e bem fechado, para a peça sair depois de fixada.
- Fragmentos com até 2 cm de espessura. Peças maiores: faça cortes parciais para o formol penetrar, sem cortar as margens que serão avaliadas.
- Para avaliação de margem, marque as bordas (por exemplo com pontos) e descreva na requisição.
Conservação e envio
Não precisa refrigerar. Envie um histórico clínico detalhado e, se possível, um croqui da lesão com a localização, o tamanho e o tempo de evolução.
Erros que mais vemos
- Pouco formol para o tamanho da peça
- Frasco de boca estreita
- Peça grande sem cortes parciais
- Tecido enviado em soro ou água
Cultura e swab
Cultura bacteriana e antibiograma, MIC, cultura otológica, cultura fúngica e perfil otopatia.
Como colher
- Use swab estéril e coloque no meio Stuart logo após a coleta.
- Colha no foco da lesão, sem encostar na pele ao redor.
- De preferência antes de iniciar antibiótico ou antifúngico, que podem causar falso negativo.
- Ouvido: não limpe o conduto nem use medicamento tópico antes. Identifique o lado (direito ou esquerdo).
- Identifique com o nome do animal e o material colhido.
Conservação e envio
Passadas 48 horas, guarde o swab na geladeira. O swab com meio não serve para PCR. Líquidos e tecidos para cultura vão em frasco estéril. A cultura fúngica pode levar até 30 dias.
Erros que mais vemos
- Swab seco, sem meio
- Coleta após limpeza do ouvido
- Paciente já em antibiótico
- Swab sem identificação do local
Pele e pelos
Raspado para ectoparasitas, pesquisa de fungos, Malassezia, tricograma e pesquisa direta.
Como colher
- Ectoparasitas: faça uma dobra na pele e pressione para os ácaros saírem, raspando até sangrar. Transfira para a lâmina e cubra com fita de acetato. Não use óleo de imersão, corantes ou outros produtos.
- Raspe várias áreas. Amostra pequena aumenta o risco de falso negativo.
- Fungos e tricograma: arranque os pelos por avulsão (com os dedos ou porta-agulhas), na borda da lesão. Nunca corte os pelos. Crostas da borda também servem. Use frasco coletor estéril.
- Malassezia: colha a secreção com swab estéril e deposite em camada fina na lâmina. Não coloque outra lâmina por cima.
- Pesquisa direta: swab ou raspado profundo em lâmina, ou crostas e pelos em frasco estéril. Não dá para fazer todas as análises com um só tipo de amostra.
- Suspenda medicamentos tópicos antes da coleta, de preferência por 7 dias.
Pode coletar no laboratório: raspado de pele e swab com agendamento.
Conservação e envio
Pelos em frasco coletor ou envelope. Nunca envie a lâmina de bisturi junto com o material.
Líquidos
Efusões abdominais, torácicas e pericárdicas, líquor, líquido sinovial e lavado broncoalveolar.
Como colher
- Colha em seringa e passe para o tubo com EDTA (contagem e citologia). Para bioquímica do líquido, use também um tubo seco.
- Se puder, faça lâminas na hora e envie junto.
- Informe a cavidade de origem e a suspeita clínica.
- Líquor e lavado: o volume costuma ser pequeno, então colha com cuidado para não perder material.
Pode coletar no laboratório: centeses guiadas por ultrassom com agendamento.
Conservação e envio
As células de líquidos, principalmente do líquor, se degradam rápido.
PCR
Biologia molecular para agentes infecciosos e painéis para cães e gatos.
Como colher
- A amostra depende do agente: sangue em EDTA, swab, fezes, urina, líquor ou tecido. Confira na Lista de Exames.
- Swab para PCR vai seco, sem meio de transporte, com material orgânico visível no swab.
- Sangue em EDTA: mínimo de 0,5 mL. Urina: mínimo de 1 mL em frasco estéril sem conservante.
- Fezes: cerca de 5 g em frasco estéril, sem conservante.
Conservação e envio
O swab seco de PCR vai refrigerado e precisa chegar rápido ao laboratório.
Erros que mais vemos
- Swab de PCR enviado em meio Stuart
- Swab sem material visível
- Amostra errada para o agente
Fale com a assessoria técnica antes de colher
Ajudamos a escolher o exame, o tubo e o volume certo. Também fazemos coletas no laboratório, com agendamento.