Check-up veterinário: você pode estar fazendo isso errado!

26 de maio de 2022 por veterinaria

É muito comum que os laboratórios comerciais ofereçam aos seus clientes opções de painéis (ou combos) de exame já prontos, com os exames mais solicitados na rotina do médico veterinário. Isso acontece como uma facilidade e também como uma opção na redução do custo dos exames (que saem bem mais barato do que se fossem realizados todos separados).

Esse movimento dos perfis foi criado justamente como um incentivo ao veterinário para que ele saísse da rotina de apenas solicitar hemograma e também incluísse outros exames importantes para diagnósticos e também check-ups e avaliações pré-cirúrgicas.

Chegamos então ao momento aonde nos acomodamos solicitando apenas os perfis prontos e nos esquecemos de como devemos utilizar os exames como ferramentas importantes para fechar um caso clínico de maneira correta e segura. Ao nos prendermos a apenas as opções que já conhecemos deixamos de receber informações importantes que outros exames (muitas vezes até mais recomendados) poderiam nos dar.

Mas o que o perfil check-up tem a ver com isso? Ele normalmente inclui exames como hemograma, ALT, FA, ureia e creatinina e é tido como um perfil que avalia o sangue (através do hemograma), função hepática e função renal. Mas será que isso tudo é realmente avaliado?

Quando falamos do hemograma, sim, ele é realmente um exame extremamente importante e talvez um dos exames mais “simples” e baratos que temos hoje. Através dele obtemos informações a respeito da série vermelha (hemoglobina por exemplo, importantíssima nas avaliações pré-cirúrgicas porque está diretamente relacionada ao carreamento de oxigênio no organismo), série branca (células da imunidade) e também as plaquetas (importante parâmetro para evitarmos sangramentos e hemorragias).

Mas erramos quando falamos que ALT, FA, ureia e creatinina avaliam as funções hepática e renal. Porque? Vamos explicar!

ALT é uma enzima de extravasamento. Por estar em grande quantidade dentro dos hepatócitos (células do fígado), quando temos uma lesão importante neste órgão também teremos extravasamento de ALT no sangue (como um balão cheio de ar que estoura liberando o ar por todos os lados). Dessa forma, ela não está diretamente relacionada a função hepática em si.

FA é uma enzima relacionada a doenças hepatobiliares ou de colestase. Quando temos alteração em FA pensamos que podemos ter uma obstrução biliar, por exemplo. Outro ponto importante em relação a FA são suas frações. Nem sempre o aumento deste parâmetro tem relação direta com o fígado, isso porque a FA possui três frações: hepática, óssea e a relacionada a corticóides. Somente através do exame de FA não conseguimos saber qual das três frações está aumentada.

Mas e para avaliar função hepática? O que devo fazer?

Os fatores de coagulação TP e TTpa são produzidos no fígado. E além de serem também importantes de serem avaliados antes de uma cirurgia como precaução a hemorragias e problemas de coagulação, por serem produzidos no fígado, caso seus valores estejam abaixo do indicado, podemos entender então que o fígado está insuficiente e portante, produzindo poucos fatores de coagulação.

Por isso frisamos que é importante não só solicitar os exames, mas saber porque está solicitando. Como ferramentas mágicas, eles quando bem utilizados, nos fornecem informações que se encaixam e nos dão um diagnóstico confiável.

Mas e os rins? A principal função do sistema urinário é eliminar ureia e creatinina, que são metabólitos produzidos e que quando acumulados (não eliminados) podem intoxicar o animal. Portanto, quando temos um aumento na ureia e creatinina, que chamamos de azotemia, entendemos que este animal é insuficiente renal, correto? Nem sempre.

Esse aumento pode acontecer por fatores pré-renais, renais e pós-renais. Ou seja, antes do rim, no rim ou depois do rim. Portanto, nem sempre está relacionada a função renal.

Outro ponto importante de se destacar é que, como precisamos eliminar ureia e creatinina, esses parâmetros só aumentam quando temos uma deficiência na taxa de filtração glomerular, e nós só conseguimos detectar um aumento considerável nos valores quando já perdemos mais de 80% dos néfrons, que são as células renais. Ou seja, quando o animal praticamente não tem mais um rim funcional.

Como isso pode se ruim? Muito simples. Apenas com esses exames não conseguimos diagnosticar uma insuficiência renal de maneira precoce. E qual a probabilidade de um animal aparentemente sadio, íntegro, que vai para uma cirurgia eletiva ou até mesmo indicada, sem sintoma clínico algum, apresentar uma alteração em ureia e creatinina e ser insuficiente renal, assim, do nada?

A probabilidade é muito baixa, concorda? Por isso recomendamos também sempre a urinálise, exame super barato e importante para avaliarmos os rins e o SDMA, um marcador renal precoce, que junto aos resultados de ureia, creatinina e urina consegue nos ajudar a detectar animais que muitas vezes ainda não possuem sintomas clínicos.

Não estamos aqui com o intuito de dizer que você está errado ou que os perfis são ruins, porque eles não são. Mas sim para alertar sobre a importância de se conhecer mais os outros exames que não estamos acostumados a solicitar e entender como eles podem nos ajudar na rotina de diagnósticos.

Tem alguma dúvida ou precisa de ajuda para um caso clínico? Entre em contato com nossa equipe!

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