Avaliação Laboratorial das Funções Hepáticas em Cães e Gatos
A análise das enzimas hepáticas gera dúvida para a grande maioria dos veterinários. Muitas vezes, esses parâmetros nos parecem muito “inespecíficos” quando não sabemos o que pode levar a tais alterações e quais são os diagnósticos diferenciais que devemos pensar.
O fígado é um órgão multifuncional e responsável por uma série de processos que são essenciais para o bom funcionamento do organismo. Ele participa do metabolismo de carboidratos, lipídeos, proteínas e hormônios, além de ser um “desintoxicador” do corpo agindo na excreção de catabólitos, atuar na digestão de gorduras e produzir fatores de coagulação. Ufa! Quantas funções!
Saber diferenciar a Doença Hepática da Insuficiência Hepática é um dos pontos chaves para que você consiga diagnosticar corretamente seus pacientes.
Diferença entre doença hepática e insuficiência hepática:
Doença Hepática:
Distúrbios que causam lesão em hepatócitos e ou causam colestase. Por exemplo: hipóxia, doenças metabólicas, intoxicação, inflamação, neoplasias, traumas e obstruções de ducto biliar.
Insuficiência Hepática:
É uma insuficiência em depurar o sangue das substâncias excretadas pelo fígado e também, falha na síntese de substâncias que são produzidas pelo fígado.
Nem sempre a doença hepática causa uma insuficiência hepática. Para que haja insuficiência, deve haver de 70 a 80% de perda de massa hepática funcional.
Como diferenciar doença hepática x insuficiência hepática nos exames?
1. Mensure enzimas que detectam lesão em hepatócitos
1.1 Testes para detecção de lesão em hepatócitos:
Enzimas que estão em maior concentração em hepatócitos (e células musculares também) e são liberados quando existe lesão
– ALT
– AST
– Sorbitol Desidrogenase e Glutamato Desidrogenase (não usados comumente)
2. Mensure enzimas que detectam colestase:
2.1 Testes para detecção de colestase:
A colestase é o comprometimento do fluxo biliar
– FA
– GGT
3. Testes de Avaliação da Função Hepática:
3.1 Testes de avaliação da função hepática:
Avaliação de substâncias que são normalmente removidas, metabolizadas ou excretadas pelo fígado pelo sistema biliar
– Bilirrubinas
– Ácidos Biliares
– Amônia
– Colesterol
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Ou substâncias que são sintetizadas pelo fígado:
– Albumina
– Globulina
– Uréia
– Colesterol
– Fatores de Coagulação
ALT (antigo TGP):
Está em maior concentração nos hepatócitos e é mais hepatoespecífica do que o AST (porém, dentre todas as enzimas, não é a mais hepatoespecífica).
Doenças ou lesões musculares também podem levar ao aumento do ALT.
Hiperadrenocorticismo e Glicocorticóides:
Animais com hiperadrenocorticismo podem apresentar um aumento de ALT, que geralmente é discreto (de 2 a 5x apenas). Isso também acontece com animais que receberam glicocorticóides. Não se sabe ao certo através de qual mecanismo isso acontece ou o porque, mas aparentemente os corticóides podem induzir a produção de ALT ou causar lesão em hepatócitos (que irão liberar ALT).
Anticonvulsivantes (fenobarbital, primidona e fenitoína):
Também podem levar ao aumento de ALT. Estudos mostram que os animais que recebem esse tipo de medicação e apresentaram a ALT aumentada, não apresentaram alterações morfológicas em fígado, indicando então que provavelmente esse tipo de medicamento também induza a produção de ALT. Outra situação possível é a Hepatopatia Tóxica, onde existe lesão de hepatócitos e então, liberação de ALT.
AST (antigo TGO):
Está em maior concentração em hepatócitos e células musculares.
Não é considerada uma enzima hepatoespecífica.
Alguns estudos relatam que 89% dos gatos em Lipidose Hepática apresentam aumento de AST e apenas 72% apresentam aumento de ALT.
FA (Fosfatase Alcalina):
É sintetizada no fígado, rins, ossos, intestinos, pâncreas e placenta.
A meia-vida da FA intestinal, renal e placentária é de 6 minutos. A meia-vida da FA intestinal em gatos é de 2 minutos. Ou seja, é muito improvável que essas isoenzimas causem aumento sérico de FA.
Aumento da FA:
Principalmente por doença hepatobiliar (maior produção e extravasamento após lesão celular). Em cães, essas doenças podem levar a um aumento da FA em até 10x.
Como diferenciar o aumento da FA?
Quando as concentrações de bilirrubina total e ácidos biliares estão simultaneamente aumentados, provavelmente é um quadro de colestase.
*Quase sempre existe bilirrubinúria, mesmo que a concentração de bilirrubina esteja normal.
Atividade Osteoblástica:
Animais jovens podem apresentam um aumento discreto de FA em até 4x. Animais portadores de osteossarcoma possuem um prognóstico ruim quando os valores de FA estão muito aumentados.
Neonatos:
Neonatos podem apresentar um aumento transitório de FA que muitas vezes pode assustar, chegando a até 30x o valor normal, nos primeiros dias de vida. Isso tudo acontece após a ingestão do colostro e após um período, os valores voltam ao normal para a idade.
Porque solicitar a FA para cães e o GGT para gatos?
Simples. Porque a meia-vida da FA em cães é de 3 dias e em gatos de 6 horas, tornando pouco provável que você encontre alterações nessa enzima nos felinos em exames de rotina.
GGT (Gama Glutamil Transferase):
É sintetizada na grande maioria dos tecidos, porém, em maior concentração em rins e pâncreas, e em menor concentração nos hepatócitos.
Para detecção de doença hepática em cães, a GGT é mais sensível e menos específica (a FA seria mais indicada). Em gatos ela é menos sensível e mais específica (exceto em casos de lipidose hepática aonde a FA ainda continua sendo melhor).
Bilirrubina
A bilirrubina é formada através da degradação da hemoglobina. Normalmente os eritrócitos velhos são destruídos continuamente, mas nas doenças hemolíticas isso pode acontecer numa frequência maior.
- Bilirrubina Indireta (não conjugada): é liberada dos macrófagos e se liga a albumina para ser transportada até os hepatócitos. Dentro dos hepatócitos, é liberada da albumina.
- Bilirrubina Direta (conjugada): nos hepatócitos a bilirrubina se liga a carboidratos. A maior parte dessa bilirrubina é excretada na bile.
Hiperbilurrubinemia:
- Aumento da produção: isso acontece devido a maior destruição de eritrócitos (normalmente nas doenças hemolíticas)
- Menor absorção ou conjugação nos hepatócitos: isso acontece na maioria das vezes devido a uma colestase intrahepática ou por doença hepática aguda/crônica.
- Menor excreção: devido a colestase. Essa colestase pode ser hepática ou pós-hepática, levando a uma obstrução parcial ou total do sistema biliar e acumulando bile. Normalmente, leva ao aumento da bilirrubina direta.
Albumina:
O fígado é o local de síntese de toda albumina. Não conseguimos observar diminuição da albumina sérica até que ocorra perda de 60 a 80% da função hepática.
Globulinas:
O fígado é o local de síntese da maioria das globulinas (exceto as imunoglobulinas que são sintetizadas em tecido linfóide). Não se constata uma diminuição significativa como no caso da albumina.
Ureia:
É sintetizada nos hepatócitos. Quadros de insuficiência hepática, redução de massa hepática funcional, resultam em menor taxa de conversão de amônia em ureia, logo, a concentração de amônia nesses casos aumenta, enquanto a de ureia diminui.
Colesterol:
A bile é a principal via de excreção de colesterol, portanto, em quadros de colestase, pode haver um aumento no colesterol.
Olá, Por gentileza, me ajude em um dos meus casos clinicos .
nos exames solicitados deu Aumento: FA, ALT, ALBUMINA, BILIRRUBINA TOTAL E DIRETA, PROTEINA TOTAL, posso entender que meu cão 10 anos, está com colestase?
Sim, devido ao aumento das enzimas FA e bilirrubina direta, que indica alteração do fluxo biliar.
Perfeita informações.
Por favor qdo da eosinofilos, monocitos, toda parte de leucograma no felino baixo o que significa?
Muito obg
Qdo da a parte de leucograma toda baixa np gatinho o que significa?
Obg
Bom dia, meu cão há três anos atrás teve hérnia de disco e precisou tomar corticóide.
Hoje os exames de fosfatase alcalina estão a 798 e ALT, 600, isso pode ser efeito do medicamento de três anos atrás, obrigada se possível me responda
Olá Paulo! É difícil determinar isso, sem avaliar o animal. Recomendamos que você procure um médico veterinário para solicitar novos exames e investigar melhor o que possa estar acontecendo!
Meu pet deu 237 de tgp e a veterinária falou que não é grave é umas esquema alteração mais vendo o valor de referência me assustei
O seu deu tudo isso ? Eu estou assustada porque o meu deu 111
Quais exames avaliam as funções hepática e renais do cachorro para uma possível cirurgia ?
Minha cadela começou com ALT de 123, depois 251. Ela tem 1 aninho e sem nenhum sinais ou sintomas de doença hepática. Fez abdômen total e deu normal. Demais exames de sangue tb normais. Nesse meio tempo a Vet prescreveu Silimarina e agora o resultado do ALT dobrou mesmo com o tratamento(ALT= 423) O que pode estar acontecendo? Tô preocupada.
Oi Viviane! Estou com o mesmo problema, em 4 exames dentro de 6 meses os níveis de ALT do meu cachorro só aumentaram. Neste último mês normalizaram as demais funções (AST e FA), mas a ALT segue aumentando. Como está sua cachorra? Ela melhorou? Vc teve algum diagnóstico específico?
Estou tendo mesmo problema com meu cãozinho de 12 anos, a ALT sobe a cada mês e outros exames estão ok, toma silimarina, bezafibrato desde fevereiro. Só que em fevereiro estava normal o ALT antes de começar os medicamentos o que estava alto era o colesterol e triglicerides, agora estes estão normal a alguns meses e o ALT não abaixa só sobe e nem a gastro nem endócrino descobrem o porque. Que difícil estou muito preocupada
Meu cão tem 9 anos e no último mês tem apresentado falta de interesse por se alimentar. O veterinário fez uma ultrassonografia e identificou um fígado inflamado e os exames de sangue nos mostram uma ALT 671 U/l e AST 183 U/I. Todos demais exames normais (hemograma, FA, GGT, Proteínas totais, ureia, creatinina e etc).
Existe a possibilidade de ser uma cirrose hepática?
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Boa noite.
Minha cachorrinha tem 11 anos, está com respiração curta e rápida, TGO 123, UREIA 84, FOSFATASE ALCALINA 179, PLAQUETA 175.000, LINFOCITOS 1044, SEGMENTADOS 17.400, e eritrocitose. A veterinaria ainda não sabe o diagnóstico pois falta fazer o ultrassom. Alguém poderia me ajudar?
Gostaria de saber se há relação da redução do colesterol com alterações hepáticas? Colesterol baixo X enzimas FA e ALT aumentadas. Triglicérides está normal.
Minha cachorra está com 13 anos, e após tratamento para triglicérides e colesterol aumentados, triglicérides normalizou, porém colesterol está baixo. Visto que FA e ALT estão aumentadas, gostaria de saber se poderia haver relação dessa redução do colesterol com alterações hepáticas?